"Olhe, se quiser os panfletos tem que esperar até às 14h para ser atendida por alguém do Governo Civil." "Ahhh... mas a essa hora estarei na minha outra escola a dar a aula de Inglês. Acha que na minha Junta de Freguesia haverá materiais que eu possa adquirir para as minhas aulas de Português e, assim, poder apelar ao voto dos meus alunos?" "Claro, que sim." "Então muito obrigada."
Lá fui eu. Pernas ao caminho.
Assim que entrei na Junta, achei estranho não haver um único cartaz afixado nas paredes, como aqueles que vimos à porta das lojas MOB, ou expostas em grandes placards pelos autocarros.
"Havia possibilidade de eu levar materiais de apelo ao voto para os meus alunos?" "Vou ver se há." "Espere, por favor. Não acabei. Não quer saber o número de material que preciso?" "Ah, sim. Claro. Faz favor." "Se tiver panfletos, precisaria de 105, se houver cartazes, bastam apenas 3."
Lá foi o funcionário público, com idade compreendida entre a minha t-shirt da Levis que ainda tenho do meu aniversário de 16 anos e do meu pijama dos gatinhos brancos. Quando regressou veio com a mensagem que já esperava: "Olhe, francamente não temos. Ainda não recebemos nada." "Então... mas estamos a uma segunda-feira e as eleições são neste domingo." "Pois, mas a Câmara não nos enviou nada."
Telefonei para o serviço de apoio ao munícipe:
"Olhe, minha senhora, agradecia que fizesse o pedido para o nosso email."
Assim fiz. No dia seguinte, recebo a resposta:
"Caro Senhor/a,
Na sequência do e-mail por si remetido, relativamente ao assunto: Processo eleitoral, vimos por este meio agradecer o seu contacto e informar que poderá contactar directamente a Comissão Nacional de Eleições, através dos contactos:
Av. D. Carlos I, 128 - 7º piso
1249-065 LISBOA
Telef.: 21 3923800
Fax: 21 3953543
E-mail: cne@cne.pt"
Como o tempo se estava a escapar, preferi o contacto telefónico ao invés de ter que ficar a esperar por mais um dia para obter uma resposta:
"Olhe, minha senhora, já não temos quaisquer materiais. Esgotaram-se! Aconselho-a a contactar a Direcção Geral da Administração Interna."
Pensei cá para mim. Já que vim até aqui, vamos ver se ainda me dão o contacto telefónico do Presidente cessante e ainda lhe peço é um apoio financeiro aqui para a "je" que me dá jeito ter a casa remodelada ainda este ano civil.
Tive pena. Afinal era mesmo para o Ministério da Administração Interna (MAI) que consegui obter a resposta:
"Ainda temos materiais, sim."
Respirei de alívio... por pouco tempo:
"Mas essa gente com quem falou não percebe nada do assunto. Desde quando é que cabe à Câmara Municipal enviar este tipo de material? Já agora. Como é que a sua escola não recebeu ainda os materiais e a sua Junta também? Eu própria enviei para cerca de 1000 escolas e para todas as Juntas."
Respirei fundo, tentei visualizar uma praia daquelas ilhas acabadas em "iti" com o Gerard Butler a nadar e respondi: "Em Lisboa há mais do que mil escolas e esta Junta de Freguesia nem um cartaz tinha a apelar ao voto."
"Que estranho..." dizia-me a vozinha do outro lado, que se deixou divagar em pensamentos mudos deixando-me estar a pagar a chamada telefónica para que os mesmos pudessem fluir ao seu belo prazer.
"Bom..." dizia eu já quase a esfumar-se a imagem da praia e do Gerard, "envio-lhe então um email a formalizar o pedido."
Na 5ª feira, 3 dias antes das eleições, recebi 26 panfletos e 3 cartazes na minha caixa de correio, vindo do MAI.
Reli o email. Confirmei os dados que também tinha indicado ao tal funcionário da Junta: 105 panfletos; 3 cartazes, e outro material que possa ser relevante para distribuir por 105 cidadãos eleitores.
Deu-me vontade de enviar o Gerard e a funcionária do MAI que me atendera o pedido para a Austrália nadar com tubarões brancos, não sem antes cortar-lhes os pulsos.
Dia 24 de Janeiro, recebia eu os restantes panfletos e no dia 25 estava a receber "outros materiais de interesse", os quais eram cartõezinhos que indicavam o número de telefone para o qual se podia enviar um sms para se saber o n.º de eleitor.
Nesta altura, imaginei-me a dar porrada aos tubarões brancos para regurgitarem a funcionária do MAI e poderem comê-la com molho de tomate e maionese.
Lá fui eu. Pernas ao caminho.
Assim que entrei na Junta, achei estranho não haver um único cartaz afixado nas paredes, como aqueles que vimos à porta das lojas MOB, ou expostas em grandes placards pelos autocarros.
"Havia possibilidade de eu levar materiais de apelo ao voto para os meus alunos?" "Vou ver se há." "Espere, por favor. Não acabei. Não quer saber o número de material que preciso?" "Ah, sim. Claro. Faz favor." "Se tiver panfletos, precisaria de 105, se houver cartazes, bastam apenas 3."
Lá foi o funcionário público, com idade compreendida entre a minha t-shirt da Levis que ainda tenho do meu aniversário de 16 anos e do meu pijama dos gatinhos brancos. Quando regressou veio com a mensagem que já esperava: "Olhe, francamente não temos. Ainda não recebemos nada." "Então... mas estamos a uma segunda-feira e as eleições são neste domingo." "Pois, mas a Câmara não nos enviou nada."
Telefonei para o serviço de apoio ao munícipe:
"Olhe, minha senhora, agradecia que fizesse o pedido para o nosso email."
Assim fiz. No dia seguinte, recebo a resposta:
"Caro Senhor/a,
Na sequência do e-mail por si remetido, relativamente ao assunto: Processo eleitoral, vimos por este meio agradecer o seu contacto e informar que poderá contactar directamente a Comissão Nacional de Eleições, através dos contactos:
Av. D. Carlos I, 128 - 7º piso
1249-065 LISBOA
Telef.: 21 3923800
Fax: 21 3953543
E-mail: cne@cne.pt"
Como o tempo se estava a escapar, preferi o contacto telefónico ao invés de ter que ficar a esperar por mais um dia para obter uma resposta:
"Olhe, minha senhora, já não temos quaisquer materiais. Esgotaram-se! Aconselho-a a contactar a Direcção Geral da Administração Interna."
Pensei cá para mim. Já que vim até aqui, vamos ver se ainda me dão o contacto telefónico do Presidente cessante e ainda lhe peço é um apoio financeiro aqui para a "je" que me dá jeito ter a casa remodelada ainda este ano civil.
Tive pena. Afinal era mesmo para o Ministério da Administração Interna (MAI) que consegui obter a resposta:
"Ainda temos materiais, sim."
Respirei de alívio... por pouco tempo:
"Mas essa gente com quem falou não percebe nada do assunto. Desde quando é que cabe à Câmara Municipal enviar este tipo de material? Já agora. Como é que a sua escola não recebeu ainda os materiais e a sua Junta também? Eu própria enviei para cerca de 1000 escolas e para todas as Juntas."
Respirei fundo, tentei visualizar uma praia daquelas ilhas acabadas em "iti" com o Gerard Butler a nadar e respondi: "Em Lisboa há mais do que mil escolas e esta Junta de Freguesia nem um cartaz tinha a apelar ao voto."
"Que estranho..." dizia-me a vozinha do outro lado, que se deixou divagar em pensamentos mudos deixando-me estar a pagar a chamada telefónica para que os mesmos pudessem fluir ao seu belo prazer.
"Bom..." dizia eu já quase a esfumar-se a imagem da praia e do Gerard, "envio-lhe então um email a formalizar o pedido."
Na 5ª feira, 3 dias antes das eleições, recebi 26 panfletos e 3 cartazes na minha caixa de correio, vindo do MAI.
Reli o email. Confirmei os dados que também tinha indicado ao tal funcionário da Junta: 105 panfletos; 3 cartazes, e outro material que possa ser relevante para distribuir por 105 cidadãos eleitores.
Deu-me vontade de enviar o Gerard e a funcionária do MAI que me atendera o pedido para a Austrália nadar com tubarões brancos, não sem antes cortar-lhes os pulsos.
Dia 24 de Janeiro, recebia eu os restantes panfletos e no dia 25 estava a receber "outros materiais de interesse", os quais eram cartõezinhos que indicavam o número de telefone para o qual se podia enviar um sms para se saber o n.º de eleitor.
Nesta altura, imaginei-me a dar porrada aos tubarões brancos para regurgitarem a funcionária do MAI e poderem comê-la com molho de tomate e maionese.