"Carpe diem", expressão latina, que significa aproveita o dia, celebrizada no filme O Clube dos Poetas Mortos. Há quem faça dela o seu motto. Porém, fico de pé atrás quando a ouço a ser pronunciada. Não por ser uma expressão já demasiadamente batida, mas porque alguns a interpretam como desfrutar daquilo que se nos apresenta e não pensar sequer em mais nada se não no deleite, ignorando, assim, consequências. Não nos iludamos. Se há uma causa, há um efeito. Se eu ajo de determinada maneira, vai acontecer eventualmente outra coisa como efeito do que fiz. Não há volta a dar. Sim, sim... "há que arriscar", "a vida são só três dias", "não se pode viver sempre na penumbra", etc etc... Porém, estes chavões todos fazem mais sentido quando é um amigo que nos quer despertar para o marasmo que se tenha apoderado de nós. Mas convenhamos... o "carpe diem" deve ser apenas usado em situações que seja necessário fazer com que a pessoa depressiva reaja e saia do seu mundo de trevas. Não o usem como um objectivo de vida. Aproveitar o dia não significa esquecer das suas obrigações. Desfrutar do presente, não significa que tenhamos que esquecer tudo o que nos tenha acontecido no passado e que nos formou a pessoa que somos agora, para podermos pinar e curtir à grande com quem se nos depara à nossa frente e achamos minimamente interessante.
Receio a expressão. Isto porque me soa a um tanto infantil... fazendo mais sentido para as crianças do que para os adultos. Apesar de que os há ainda com Síndrome de Peter Pan. Para mim, não há nada mais ridículo que um homem que sofre de tal maleita. Há quem ache até sensual a sua convicção de que faz bem reter a criança em si. Uma coisa é um homem divertido, com sentido de humor apurado, outra é um homem mimado, imaturo e sem tomates para assumir o que quer que seja de concreto na vida. Pior que ter este Síndrome, é o "homem" a quem lhe mirra os berlindes sempre que se fala em responsabilidades. Um pai de um aluno meu, por exemplo, prefere não tratar dos "papéis" devidos para o Tribunal de Menores, respeitantes ao seu filho, porque: "Só de pensar que vou ter que perder um dia da minha folga para ir tratar de papéis... Já perco a vontade." (sic)
Gajos amebas (que não fazem um corno), gajos inseguros (que não sabem se querem se não, não sabem se desistem ou se devem continuar, não sabem se devem aparecer ou desaparacer de vez), gajos coninhas (que têm medo até da sua própria sombra), gajos bananas (moldam as suas opiniões conforme a pessoa que têm ao seu lado), gajos que não têm e recusam ter opiniões estruturadas de assuntos variados para evitarem conflitos... todos estes gajos deveriam ser linchados em praça pública e passarmos por cima dos cadáveres deles, enquanto jogamos piñata.
Por outro lado, coisas que se passam ao meu lado, fazem-me acordar desta estupidez toda:
_ uma mãe que acompanha o seu filho desde que este fizera os sete anos de idade com idas ao IPO todos os meses, por lhe ter sido diagnosticado leucemia. Durante 10 anos, exames sucedidos por outros exames, fazem os médicos concluir que não resta muito mais que 2 meses de vida ao rapaz que já completa 17 anos. O caminho natural da vida seria a mãe partir deste mundo mais cedo que o filho... não o contrário. Olhar constantemente para o leito do filho, que se contorce em dores, devido à quimioterapia que o deixa queimado todo por dentro. Noites a fio enjoado, com vómitos e a desejar que por um segundo... um segundo apenas possa respirar sem sentir náuseas ou dores agudas. Quando um filho perde um dos seus progenitores, ele é órfão de pai ou de mãe, consoante. Ao que se chama a uma mãe que tem como certo a morte do seu filho em escassos meses? Nem a língua portuguesa tem um termo para tal.
_ uma rapariga, que regressa ao seu país natal para visitar a família. Espera horas e horas até que recebe um telefonema da mãe, que a espera ansiosamente em casa, e lhe diz a soluçar: "Apanha um táxi. O teu primo não te pode ir buscar. A caminho daí, teve um acidente e morreu."
Carpe diem...
Receio a expressão. Isto porque me soa a um tanto infantil... fazendo mais sentido para as crianças do que para os adultos. Apesar de que os há ainda com Síndrome de Peter Pan. Para mim, não há nada mais ridículo que um homem que sofre de tal maleita. Há quem ache até sensual a sua convicção de que faz bem reter a criança em si. Uma coisa é um homem divertido, com sentido de humor apurado, outra é um homem mimado, imaturo e sem tomates para assumir o que quer que seja de concreto na vida. Pior que ter este Síndrome, é o "homem" a quem lhe mirra os berlindes sempre que se fala em responsabilidades. Um pai de um aluno meu, por exemplo, prefere não tratar dos "papéis" devidos para o Tribunal de Menores, respeitantes ao seu filho, porque: "Só de pensar que vou ter que perder um dia da minha folga para ir tratar de papéis... Já perco a vontade." (sic)
Gajos amebas (que não fazem um corno), gajos inseguros (que não sabem se querem se não, não sabem se desistem ou se devem continuar, não sabem se devem aparecer ou desaparacer de vez), gajos coninhas (que têm medo até da sua própria sombra), gajos bananas (moldam as suas opiniões conforme a pessoa que têm ao seu lado), gajos que não têm e recusam ter opiniões estruturadas de assuntos variados para evitarem conflitos... todos estes gajos deveriam ser linchados em praça pública e passarmos por cima dos cadáveres deles, enquanto jogamos piñata.
Por outro lado, coisas que se passam ao meu lado, fazem-me acordar desta estupidez toda:
_ uma mãe que acompanha o seu filho desde que este fizera os sete anos de idade com idas ao IPO todos os meses, por lhe ter sido diagnosticado leucemia. Durante 10 anos, exames sucedidos por outros exames, fazem os médicos concluir que não resta muito mais que 2 meses de vida ao rapaz que já completa 17 anos. O caminho natural da vida seria a mãe partir deste mundo mais cedo que o filho... não o contrário. Olhar constantemente para o leito do filho, que se contorce em dores, devido à quimioterapia que o deixa queimado todo por dentro. Noites a fio enjoado, com vómitos e a desejar que por um segundo... um segundo apenas possa respirar sem sentir náuseas ou dores agudas. Quando um filho perde um dos seus progenitores, ele é órfão de pai ou de mãe, consoante. Ao que se chama a uma mãe que tem como certo a morte do seu filho em escassos meses? Nem a língua portuguesa tem um termo para tal.
_ uma rapariga, que regressa ao seu país natal para visitar a família. Espera horas e horas até que recebe um telefonema da mãe, que a espera ansiosamente em casa, e lhe diz a soluçar: "Apanha um táxi. O teu primo não te pode ir buscar. A caminho daí, teve um acidente e morreu."
Carpe diem...
