Antes eu era convencida... agora sou perfeita.



terça-feira, agosto 16, 2011

Tareco

Todos os meus gatos foram recolhidos da rua, e o Tareco não é excepção. Tinha perdido o meu Pantufa ( já ele tinha 16 anos) e fui buscar o Tareco à rua, sabendo que uma gata tinha dado à luz uma ninhada há menos de um mês. Já tem nove anos e é mesmo o protótipo dos felinos:
_ Gosta de se fazer sentir na sua presença. Exige atenção de todos quantos o rodeia, mas só até quando quiser.
_ Adora brincar e mordisca para fazer entender que já chega de brincadeiras e quer descanço.
_ Tem um olhar penetrante. Senta-se à nossa frente e fica a olhar para nós fixamente até ter o que quer: normalmente ou são festas ou direcciona-nos para a malga da comida que está quase vazia.
_ Odeia barulho e prefere ter o seu espaço que o colo de alguém. Quando vem para o nosso colo é porque é ELE que assim pretende. Não gosta nada de ser agarrado nem de receber festas a mais. Começa logo a mordiscar.

Independente e lindíssimo. Como sabe dos seus belos atributos físicos é arrogante e consegue fazer 90% das coisas que quer. O impedimento para o 100% advém dele próprio, porque como tem asma não consegue brincar e correr o tempo que quer. Começa a arfar e deita-se para retomar a respiração. Está a ser medicado hoje em dia homeopaticamente, e é graças a este facto que já não está sob o efeito de córticos.
Tem uma personalidade de soberano e o focinho à grão-de-bico que tem, dá-lhe um ar helénico e deveras aristocrático.
Mora com a minha mãe, porque já se habituou à casa e porque não se dá muito bem com os restantes gatos. Para evitar de se stressar e ter constantes crises de asma, optámos por dividi-lo dos restantes gatos. Não me agrada esta ideia, porque o ideal seria ficar com todos os quatro na minha casa, mas já há tanto tempo que não está com gatos, e em especial com o Tico e o Ruivo, com quem se pegava imenso, que é preferível as coisas permanecerem como estão.

Tico-Tico

Há oito anos (e mais alguns pozinhos) fui buscar, com a minha mãe, o cão para o trazermos para casa, eis quando... se ouve a miar.
_ Tânia, Tânia! Anda cá que está aqui um gatinho muito pequenino.
Lá fui eu a correr para ver do bicho. Ele estava assustadíssimo e encontrava-se dentro de um lavatório, mais propriamente na parte de trás que tem um enorme buraco para deixar correr a água. Estava o desgraçado, portanto, dentro de água. A minha mãe já tinha tentado tirá-lo de lá de dentro, mas já lhe tinha arranhado e bufado... uma coisa pequenina de apenas alguns dias de vida! A senhora minha mãe decidiu então colocar um copo de água para o obrigar a sair daquele sítio. Já nos estávamos a aprontar para o agarrar, mas o teimoso preferia afogar-se que sair dali. Afastámo-nos uns passos e eis quando sai do buraco uma coisinha mais pequena que a palma da minha mão. Encharcadíssimo, andava pelo chão com as pernas abertas devido à água em demasia pelo seu corpo. Pingava e miava enquanto andava. Carregava pesado no seu pelinho a água e, por isso, não conseguiu correr. Apanhei-o, mas o diabrete conseguiu escapar. Agarrei-o de novo. Encostei-o contra mim e aqueci-o com o ar quente da minha boca. Ficou quietinho e... desde aí, tem sido o meu bebé.
Ficou com o nome de Tico-Tico, não porque eu seja gaga, mas porque o encontrámos pequeniníssimo. Não sei se foi por querer contrariar o nome que lhe pusémos, mas cresceu e tornou-se num gato gordíssimo. Os gatos esterilizados tendem a aumentar de peso, só que o sr. Tico come a ração que ponho até ao fim e ainda rouba da comida dos outros restantes gatos que tenho. Para além disso, tem como sobremesa passarinhos. Não estou a brincar. O bisonte consegue caçar pássaros. Não sei como um gato de 8,7kg tem a destreza de apanhar pássaros. Não são animais propriamente rastejantes e que venham ter connosco. São animais alados e que não costumam socializar com felinos. O facto é que todas as semanas apanho penas de pássaros perto do local onde ele dorme. Antes ainda se viam as vísceras dos pobrezitos. Hoje em dia, tudo marcha... só uma ou outra pena pelo chão. Com certeza para palitar os dentes.
Preocupada com a constituição dele, que não parava de crescer, levei-o até ao veterinário que levou as mãos à cabeça e quase que me batia enquanto dizia por outras palavras: "Mas quer matar o gato? Já viu como ele está?" Resultado: começou a fazer dieta. Come duas vezes por dia ração seca, rica em fibras. Nunca vi um gato a obrar tanto! Acaba de comer e vai logo fazer troços de fazer inveja a qualquer Grand Danois. Já anda assado nas partes pudibundas e recebe um refresco de água-de-rosas, que muito me agradece enquanto ronrona. Desde há mais de três meses que se encontra neste tipo de dieta. Ontem a médica ficou contentíssima quando o viu. Passou grande parte do tempo a fazer-lhe festas na barriga, enquanto combinávamos a continuação do tratamento. Já perdeu 1kg! Já tem 7,7kg. Já parece outro e com isto tudo já poderá ter uma vida mais saudável e... conseguir saltar ainda mais alto para apanhar pássaros. A população alada, à volta do sítio onde ele está, está a diminuir drasticamente. Coloquei-lhe a minha preocupação perante a mistura de alimentos que ele faz: a dieta e os pássaros. Ela sorriu, por saber que ele se encontra mais enérgico, e fez-lhes mais festas. Pois é... foi assim precisamente que me deixei levar por ele. O menino olha para mim com olhinhos tipo Puss in the Boots e fazia com que lhe desse mais comida. Ronronava-me em agradecimento depois de o ver com duas bolas gigantes em cada face lateral da barriga. Por isso é que ela salvaguardou dizendo-me: "Veja lá e tente que ele não coma tantos pássaros."
Vou-me pôr de guarda a afugentar a passarada por estas redondezas!

Casa

Por vários anos morei com a minha família, que ao longo do tempo se foi diminuindo nos seus elementos...
Há mais de uma década que vivia apenas com a minha mãe.
Chegou a altura de uma nova página: a minha casa, o meu espaço maior, sem ser apenas o meu quarto. Significa que terei que fazer mais sacrifícios para mantê-la. Não será para mim novidade, porque tem sido assim nos últimos anos: trabalhar, trabalhar... para arrecadar umas migalhas e conseguir ter o que pretendo.
O primeiro dia foi desastroso:
_ o Ruivo (o meu gato de maior estrutura) tinha decidido desaparecer durante horas a fio o dia inteiro pelos telhados do bairro onde a minha mãe mora. Chamei-o, por diversas vezes, mas o sacaninha preferiu miar e não voltar. Entrei quase em parafuso, porque as palavras reconfortantes da minha mãe levaram-me a descer o estado de ansiedade: "Lá mais para a noitinha ele volta por ele próprio, porque terá fome." Na verdade o gato não voltou por ele próprio, mas apenas ao meu chamado, perto já das 18h.
_ a mudança do colchão de cama foi conturbada, porque os das mudanças não conseguiam aguentá-lo muito bem. O que vale é que o caminho da carga e descarga eram perto do nível do chão! Caso contrário, ainda estaria eu a tirar hoje restos de alcatrão e folhas secas do colchão.
_ o Tico (o meu segundo gato de maior estrutura) passou a noite a tentar "saltar para a espinha" do Salem (o meu gato de menor estrutura, preto, e pitosga do olho esquerdo). Acordava-me durante a noite (por várias vezes) a miar e a colocar-se em cima do outro desgraçado que se assustava porque, tal como a dona, queria dormir e não conseguia.
_ os vizinhos do andar abaixo do meu (romenos, moldavos, ucranianos... não sei ao certo a nacionalidade deles, mas pertencem ao leste) mantiveram as suas conversas muito pouco acessíveis à minha compreensão quer linguística quer logística. Não percebo pevide de nenhuma língua dos países do leste, o que faz com que me irrite solenemente estar a ouvir constantemente conversas imperceptíveis e ainda para mais com um volume de voz consideravelmente alto. Como tenho vivido na casa da minha mãe, que tem como vizinhos em todo o prédio, escritórios, é um sossego total desde as 18h nos dias úteis e todos os fins-de-semana. Não estou, portanto, habituada a ouvir barulho tão perto do sítio onde durmo até depois da meia-noite, tendo que acordar no dia seguinte por volta das 8h. O mais interessante é que parece que são duas famílias que lá estão a morar e as mulheres conseguem ser mais ruidosas que os homens.
_ esqueci-me de fechar as janelas e persianas do meu quarto, o que fez com que os raios de sol das 6h30 da matina me acordassem e me impossibilitassem de continuar com o meu repouso justo.
_ acordei na manhã de 11 de Agosto com dores de pés, pernas, costas, braços e ombros que me relembravam da loucura das 6 viagens de autocarro que eu cheguei a fazer no dia anterior ao transportar gatos e Ld.ª (comida, casa-de-banho, contentores para a comida e bebida) e alguma roupa minha para o dia seguinte. O que me valeu foi de ter já algumas coisas em minha casa que já eu tinha mudado noutras alturas.

Mesmo assim... apesar das vicissitudes de um primeiro dia, sobrevivi e mantive o meu sorriso.