Antes eu era convencida... agora sou perfeita.



quarta-feira, maio 16, 2012

A ironia

Sempre achei um desperdício de tempo, dinheiro... ter plantas. Porém... tenho andado (quase) obcecada com o meu jardim, que se situa nas traseiras da minha casa.
Não há fim de semana que eu não passe umas boas horas a trabalhar nele: a) ou me sento nele e ponho-me a corrigir fichas/testes; b) ou ainda trato dos meus gatos (penteá-los, cortar-lhes as unhas, lavar-lhes os dentes com pasta especial...); c) ou ainda, tiro as ervas daninhas e planto outras dadas pela minha tia ou pelo meu primo.
No passado sábado, dediquei-me apenas à jardinagem. O plano era simples: cortar a relva e, depois, pôr os gatos à solta no jardim. No entanto... entusiasmei-me de tal maneira que o que aconteceu foi:
_ Epá... _ olhava eu para o jardim com o nariz torcido _ esta relva está demasiadamente alta... Se calhar vai demorar.
Olho para o relógio, e eram onze e meia.
_ Bom, se não andar aqui a engonhar, ainda consigo acabar isto antes da uma.
Fui buscar o cortador de relva eléctrico e comecei na faina. Após hora e meia, já me sentia a pingar por todos os poros e sem ter conseguido cortado um terço da relva. Já me sentia mal, tal era a fraqueza. Resolvi fazer a pausa para o almoço e continuar. Juro, juradinho, que não me demorei muito. Fui ainda falar com o meu primo e pedir-lhe umas explicações de "como tirar o raio do fio vermelho cortante de dentro da maquineta". Acontecia de 5 em 5 minutos (sem exagero), a pausa para desligar o cortador, porque o próprio fio cortava-se quando estava a fazer a sua função na relva. Lá tinha eu que desarmar a máquina toda para voltar a colocar o fio para fora, de modo a poder continuar o corte. Conclusão: um trabalho que deveria demorar pouco mais que 2h, demorou 6h!
Ao cabo daquelas horas todas já me doíam as costas, as pernas, até as pontas dos dedos que se tinham entretanto tornado verdes porque estava eu sempre a tirar os restos de relva que teimavam em infiltrarem-se na máquina. Para além disso, sentia um pequeno ardor na cara e nos braços. Não contente com aquilo, fui buscar uma espécie de vassoura para tirar as folhas cortadas do jardim, e com a vassoura comum, varrer o que havia na passadeira de pedra. Uma vez que estava com a mão na massa, fui até ao jardim do meu primo e também varri a passadeira que lá havia. Olhei para as escadas e lá fui eu, com vassoura e pá nas mãos, e varri-as até chegar às escadas da minha vizinha (que também varri... não a vizinha, entenda-se...). Não vale a pena elevar esse sobrolho, caro leitor. Eu sou Virgem. Gosto tudo muito bem limpinho e varridinho e arrumadinho. Ainda para mais, tinha deixado cair algumas folhas pelo caminho, enquanto transportara as folhas cortadas para o lixo; por isso, só fiz o que me competia... Mas enfim... adiante... arranjei as roseiras e o jasmim. Cortei-me nos espinhos das roseiras e ganhei bolhas nas mãos por arrancar tanta relva perto do jasmim, porque se tivesse usado o cortador perto dele... já há muito que não o teria.
Eram 8 horas da noite... estafada, arrastei-me até casa e fui tomar o 14º duche do dia. Reparei depois que tinha um bronze à camionista, porque aquelas horas todas tinham produzido o efeito camarão nos braços. Aprontei-me para ir ter com a minha mãe, como habitual, para cuidarmos do Alex (o tal cão que encontrámos em Julho... Sim, chegámos por ficar com ele!) Perdi o autocarro. Só havia uma solução ir a pé ou esperar cerca de 45 minutos por um que passasse. Optei por ir a pé. O meu masoquismo até a mim me espanta. Mas julgo que tomei a decisão de caminhar durante 20 minutos, porque as 8h na faina, deram a oportunidade de alguns raios solares ultrapassarem o chapéu de palha e esturricarem-me alguns neurónios. Chegada ao destino, já acompanhada, fui ainda passear o cão.
Domingo. Dia santo para alguns, enquanto que para mim foi um inferno. Posso resumi-lo numa única palavra: DORES!

A escala no domingo

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