Antes eu era convencida... agora sou perfeita.



domingo, fevereiro 07, 2010

Up in the air

Bem, este já é o 2º post sobre cinema... enfim... cá vai disto:
Para quem não conhece o filme e, portanto, ainda não o tenha visto, por favor, não comentem o que não sabem. Caso tenham visto o filme, podem comentar à vontadex.
Ouve-se na TV que é um filme que ficará nos anais dos filmes considerados "clássicos", ou seja, avaliado como um filme de gente que gosta de levar atrás, utilizando-se ainda o eufemismo "clássico" p'ra não dizer que é feito por velhos caquéticos.
Um filme destes é tudo menos "excelente". É um filme que se vê bem quando não há mais nada p'ra fazer. De facto é preferível vê-lo que o Canal Parlamento (excepto quando se podem ver cenas fofinhas de ministros a colocar-se no lugar de uma besta com corninhos na testa deslavada) ou que uma novela (já não falo do canal 4) da SIC ;oP
Conclusões que se tiram do filme: 1- é preferível ficar-se na ignorância porque nela está a felicidade. O gajo começou a questionar-se sobre se o plano de vida que tinha traçado seria de facto aquele que lhe dava mais prazer. Foi a partir daqui que o filme passou de comédia a drama.
2- O casamento tem tanto significado como a união de facto ou qualquer outra relação humana. Não sou contra o casamento, mas há quem o prefira. Para que serve o casamento? Para que serve o namoro? Para quê a amizade? Simples: apesar de sermos indivíduos precisamos de um próximo que nos faça sentir bem; que (aqui vai um cliché) nos complemente. E aquela treta de que precisamos de outra pessoa para não morrermos sozinhos, acho que essa parte do filme é a melhor. Sem dúvida que todos morremos sozinhos. A questão pode-se é colocar se morremos ao mesmo tempo. Quando até os gémeos siameses nascem não acontece ao mesmo tempo, há sempre um que tem que aparecer primeiro. Quando morremos acontece só a nós, é aquele único ser que quina. Podem morrer vários ao mesmo tempo, mas são outras pessoas, não sou eu. Portanto, não venham com a treta do argumento que se casa para não se morrer sozinho. Quer-se é companhia até aos fins dos dias. Assim, sim. Assim já me convencem.
E isto leva-me às questões novamente: para quê um casamento ou até mesmo uma amizade? Porque somos animais sociais. Não somos ilhas. Eu só existo porque outro reconhece a minha existência no sentido em que eu e o outro modificamo-nos. As nossas escolhas/opções, os nossos contactos, as nossas afirmações e até negações já tocaram outras vidas, que por sua vez tocaram em outras. Todos nós somos úteis nesta vida, há é que a manter interessante e, para isso, tentar ter uma mente aberta e abraçar as adversidades, porque sem elas, meus caros, não damos valor a porra nenhuma e não crescemos como seres humanos. Sem dúvida que as pessoas que conheço e que são bastante maduras (não falo em idades físicas) são aquelas que já passaram por IMENSAS coisas ruins e ainda conseguem ter uma palavra de alento para os outros. A esses, tiro o meu chapéu.
Não foi o filme que me fez pensar nisto, porque ele aborda variadíssimos temas; mas sem dúvida o que nos cativa a todos num filme são as relações que as personagens vão desenvolvendo entre si. E este, não foge à regra.
Como mulher que sou basta-me um fiozinho de um tema para me expraiar...

2 comentários:

Anónimo disse...

Olá
Por acaso vi o filme e não posso deixar de lhe dizer que não concordo consigo em algumas coisas: ponto 1 e 2 na minha opinião a mensagem nunca foi essa que lhe atribui, e sim a que independentemente das voltas que as nossas vidas dão, e que por vezes nos fazem deixar os sonhos de lado, mostra-nos que nunca devemos desistir daquilo em que acreditamos e o casamento sempre teve significado porque eles acreditaram nisso. Ah e sim ..este é um bom filme com um toque melancólico a fazer lembrar filmes de outros tempos.Mas é na diversidade de opiniões que as coisas ganham vida

TANIA77 disse...

Caro Anónimo,
permita-me que o trate assim uma vez que não consigo vislumbrar nada mais para além desse nome e, já agora, deixe-me discordar de si em tudo quanto escreveu, incluindo o "Ah".
Denotei um certo ziguezagueio na sua opinião, que começa por referir que concorda com "algumas" coisas, e no fim de contas não concorda nem num nico que escrevi.
Quanto à parte de nunca devemos desistir daquilo em que acreditamos (e bla bla bla o resto) acho-o muito "naive"... Se assim fôssemos nem a própria ciência avançaria... Para além disso, palavras como "nunca" e "sempre" são, para mim, o quase roçar de uma verdade absoluta... e julgo que deverá saber que no mundo mortal isso não existe. O casamento (lá está a sua palavra "sempre" no seu discurso, que o faz tombar) foi precisamente um dos temas que mais levou na cabeça... senão vejamos: 1- o relacionamento extra-conjugal da "amiga colorida" de Ryan Bingham (interpretado pelo bonzão do Clooney), não acredita no casamento, caso contrário e houvesse alguma credibilidade nele não haveria azo para tal relação; 2- a nova colega de Ryan, aquela toda certinha, levou com os patins do namorado que foi obra... Ela idealizava o casamento, mas nem sequer o namorado acreditava em tal e nem ela se deu conta de tal. Que raio de casamento aquele seria se nem a rapariga andava com os olhos abertos antes mesmo de sequer se casar.
Conclusão? Nenhum acreditava no casamento e a situação tornava-se para as personagens desagradável quando se tinham que confrontar com ele (o casamento, entenda-se!).
Já num timbre a terminar (que isto já vai longo... peço 'sculpa), discordo totalmente que este filme tenha esse "toque melancólico a fazer lembrar filmes de outros tempos". De melancólico não tem nada, bem como de especial... senão vejamos que prémios é que foram atribuídos ao filme: 0 (zero). http://www.oscars.org/awards/academyawards/82/nominees.html

Como notal final, a frase "é na diversidade de opiniões que as coisas ganham vida" quer significar que eu não devo comentar ou é mais um daqueles clichés que quer deixar aqui como aquele do "nunca devemos desistir dos nossos sonhos"? Fiquei na dúvida :oP