Antes eu era convencida... agora sou perfeita.



terça-feira, agosto 16, 2011

Casa

Por vários anos morei com a minha família, que ao longo do tempo se foi diminuindo nos seus elementos...
Há mais de uma década que vivia apenas com a minha mãe.
Chegou a altura de uma nova página: a minha casa, o meu espaço maior, sem ser apenas o meu quarto. Significa que terei que fazer mais sacrifícios para mantê-la. Não será para mim novidade, porque tem sido assim nos últimos anos: trabalhar, trabalhar... para arrecadar umas migalhas e conseguir ter o que pretendo.
O primeiro dia foi desastroso:
_ o Ruivo (o meu gato de maior estrutura) tinha decidido desaparecer durante horas a fio o dia inteiro pelos telhados do bairro onde a minha mãe mora. Chamei-o, por diversas vezes, mas o sacaninha preferiu miar e não voltar. Entrei quase em parafuso, porque as palavras reconfortantes da minha mãe levaram-me a descer o estado de ansiedade: "Lá mais para a noitinha ele volta por ele próprio, porque terá fome." Na verdade o gato não voltou por ele próprio, mas apenas ao meu chamado, perto já das 18h.
_ a mudança do colchão de cama foi conturbada, porque os das mudanças não conseguiam aguentá-lo muito bem. O que vale é que o caminho da carga e descarga eram perto do nível do chão! Caso contrário, ainda estaria eu a tirar hoje restos de alcatrão e folhas secas do colchão.
_ o Tico (o meu segundo gato de maior estrutura) passou a noite a tentar "saltar para a espinha" do Salem (o meu gato de menor estrutura, preto, e pitosga do olho esquerdo). Acordava-me durante a noite (por várias vezes) a miar e a colocar-se em cima do outro desgraçado que se assustava porque, tal como a dona, queria dormir e não conseguia.
_ os vizinhos do andar abaixo do meu (romenos, moldavos, ucranianos... não sei ao certo a nacionalidade deles, mas pertencem ao leste) mantiveram as suas conversas muito pouco acessíveis à minha compreensão quer linguística quer logística. Não percebo pevide de nenhuma língua dos países do leste, o que faz com que me irrite solenemente estar a ouvir constantemente conversas imperceptíveis e ainda para mais com um volume de voz consideravelmente alto. Como tenho vivido na casa da minha mãe, que tem como vizinhos em todo o prédio, escritórios, é um sossego total desde as 18h nos dias úteis e todos os fins-de-semana. Não estou, portanto, habituada a ouvir barulho tão perto do sítio onde durmo até depois da meia-noite, tendo que acordar no dia seguinte por volta das 8h. O mais interessante é que parece que são duas famílias que lá estão a morar e as mulheres conseguem ser mais ruidosas que os homens.
_ esqueci-me de fechar as janelas e persianas do meu quarto, o que fez com que os raios de sol das 6h30 da matina me acordassem e me impossibilitassem de continuar com o meu repouso justo.
_ acordei na manhã de 11 de Agosto com dores de pés, pernas, costas, braços e ombros que me relembravam da loucura das 6 viagens de autocarro que eu cheguei a fazer no dia anterior ao transportar gatos e Ld.ª (comida, casa-de-banho, contentores para a comida e bebida) e alguma roupa minha para o dia seguinte. O que me valeu foi de ter já algumas coisas em minha casa que já eu tinha mudado noutras alturas.

Mesmo assim... apesar das vicissitudes de um primeiro dia, sobrevivi e mantive o meu sorriso.

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