Ontem, dia do trabalhador, 1 de Maio de 2012, fui vacinar o Ruivo (um dos meus gatos!) na Clínica Veterinária, como combinado no dia anterior com a veterinária dos meus 4 gatos. A Clínica não estaria aberta ao público, mas fazia-me o especial favor de abrir a clínica de manhã para me receber e vacinar o meu "menino". Estava já na paragem, com o "rapazito" na caixa transportadora, quando recebo uma chamada da senhora minha mãe:
_ Onde andas? Podes ajudar-me? Acho que me meti numa enrascada.
Ora, a enrascada era que se encontrava há mais de duas horas numa fila interminável do Pingo Doce para pagar os poucos produtos que queria comprar.
_ Vem cá num instante! _ insistia.
Ponderei se seria prudente levar o Ruivo para o Pingo Doce, mas logo de seguida gargalhei. Deixei-o em minha casa e fui ter ao Pingo Doce com um saco.
Quando lá cheguei... um cenário grotesco que só fazia lembrar quando eu era pequenina e o meu pai me levava a mim e ao meu irmão para a Feira do Livro: eu só via era pessoas amontoadas, empurrando-se e a gritarem umas com as outras. A diferença era uma questão geográfica.
_ Mãe, o que se passa aqui? _ perguntei-lhe assim que a consegui alcançar.
_ Fazem 50% de desconto numa compra de 100€.
_ Mas não vamos conseguir com estes dois saquitos.
_ Não interessa! Vai comprar o que precisas!
Notei que na expressão dela havia regozijo. Aquilo parecia uma aventura. Já se conversava com as pessoas que se encontravam à nossa frente da fila e atrás como se as conhecêssemos desde infância. De vez em quando, saía uma senhora lá de trás da fila, e fazia questão de referir em especial à minha mãe e a mim:
_ Vocês aguentem aqui a fronteira, para ninguém passar à vossa frente.
A senhora vinha artilhada com o seu chapéu de chuva com cabo de madeira e uma indumentária com gosto duvidoso.
_ Claro, com certeza. Não se preocupe que controlamos isto. _ Dizia-lhe eu, enquanto lhe sorria e obtinha o aval dela com palmadas nas costas.
A fronteira era a parte da fila em que se subdividia entre a caixa de pagamento 3 e 4. Parecia que estávamos face uma guerra civil. De facto, assim parecia, mas dentro da mesma fila havia camaradagem e incentivos para não desmoralizarmos perante o inimigo (o cansaço). Estávamos praticamente a escassos centímetros da caixa registadora, quando reparámos numa penetra. Deitámos-lhe os olhares óbvios fulminantes; mas a inimiga desviava-se dos olhares que lhe atirávamos. Avisámos o nosso companheiro de batalha, que se encontrava atrás de nós. Ele anuiu com a cabeça e pôs-se em posição de sentinela. A minha mãe, não contente ainda com a pouca eficácia das nossas acções, emitiu o seguinte à mulherzinha:
_ A fila é lá atrás.
A mulher nem olhou para a minha mãe e só respondeu secamente um simples: "Eu sei."
Porém, a pressão derrotou-a e resolveu sair da nossa fila e penetrar noutra... que no entanto também não teve sorte e desistiu, saindo do Pingo Doce sem quaisquer compras. Festejámos por termos derrotado a penetra e comentávamos entre nós: "Não faltava mais nada! Desistiu e ainda bem!"
Ouvíamos entretanto, noutras "trincheiras" que noutra "guerra", ali para os lados de Chelas, já tinha acontecido violência. Receávamos que nos acontecesse o mesmo, mas já estávamos a poucos cms da caixa.
Ao cabo de 3h30 dentro daquele Pingo Doce, saímos sãs e salvas... porém sem termos conseguido atingir os 100€ e apenas atingido os 53€. Não saímos assim tão ilesas...
_ Onde andas? Podes ajudar-me? Acho que me meti numa enrascada.
Ora, a enrascada era que se encontrava há mais de duas horas numa fila interminável do Pingo Doce para pagar os poucos produtos que queria comprar.
_ Vem cá num instante! _ insistia.
Ponderei se seria prudente levar o Ruivo para o Pingo Doce, mas logo de seguida gargalhei. Deixei-o em minha casa e fui ter ao Pingo Doce com um saco.
Quando lá cheguei... um cenário grotesco que só fazia lembrar quando eu era pequenina e o meu pai me levava a mim e ao meu irmão para a Feira do Livro: eu só via era pessoas amontoadas, empurrando-se e a gritarem umas com as outras. A diferença era uma questão geográfica.
_ Mãe, o que se passa aqui? _ perguntei-lhe assim que a consegui alcançar.
_ Fazem 50% de desconto numa compra de 100€.
_ Mas não vamos conseguir com estes dois saquitos.
_ Não interessa! Vai comprar o que precisas!
Notei que na expressão dela havia regozijo. Aquilo parecia uma aventura. Já se conversava com as pessoas que se encontravam à nossa frente da fila e atrás como se as conhecêssemos desde infância. De vez em quando, saía uma senhora lá de trás da fila, e fazia questão de referir em especial à minha mãe e a mim:
_ Vocês aguentem aqui a fronteira, para ninguém passar à vossa frente.
A senhora vinha artilhada com o seu chapéu de chuva com cabo de madeira e uma indumentária com gosto duvidoso.
_ Claro, com certeza. Não se preocupe que controlamos isto. _ Dizia-lhe eu, enquanto lhe sorria e obtinha o aval dela com palmadas nas costas.
A fronteira era a parte da fila em que se subdividia entre a caixa de pagamento 3 e 4. Parecia que estávamos face uma guerra civil. De facto, assim parecia, mas dentro da mesma fila havia camaradagem e incentivos para não desmoralizarmos perante o inimigo (o cansaço). Estávamos praticamente a escassos centímetros da caixa registadora, quando reparámos numa penetra. Deitámos-lhe os olhares óbvios fulminantes; mas a inimiga desviava-se dos olhares que lhe atirávamos. Avisámos o nosso companheiro de batalha, que se encontrava atrás de nós. Ele anuiu com a cabeça e pôs-se em posição de sentinela. A minha mãe, não contente ainda com a pouca eficácia das nossas acções, emitiu o seguinte à mulherzinha:
_ A fila é lá atrás.
A mulher nem olhou para a minha mãe e só respondeu secamente um simples: "Eu sei."
Porém, a pressão derrotou-a e resolveu sair da nossa fila e penetrar noutra... que no entanto também não teve sorte e desistiu, saindo do Pingo Doce sem quaisquer compras. Festejámos por termos derrotado a penetra e comentávamos entre nós: "Não faltava mais nada! Desistiu e ainda bem!"
Ouvíamos entretanto, noutras "trincheiras" que noutra "guerra", ali para os lados de Chelas, já tinha acontecido violência. Receávamos que nos acontecesse o mesmo, mas já estávamos a poucos cms da caixa.
Ao cabo de 3h30 dentro daquele Pingo Doce, saímos sãs e salvas... porém sem termos conseguido atingir os 100€ e apenas atingido os 53€. Não saímos assim tão ilesas...
1 comentário:
Há sempre coisas piores na vida http://3.bp.blogspot.com/-7YdPHXq4xw8/T6MG_5Ma4EI/AAAAAAAADDE/MeJFlnTQPak/s1600/PD%2Bangola.PNG
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